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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desempregado e doente, ex parceiro de ET, trabalha na roça enquanto briga por indenização de emissora



Sem emprego na TV há mais de um ano, Rodolfo Carlos de Almeida pegou na enxada e foi para a roça. Literalmente. Duas vezes por semana, ele trabalha com um amigo no cultivo de hortaliças orgânicas em uma chácara na Grande São Paulo. Ex-parceiro de Cláudio Chirinian, o ET, o repórter de Ratinho e Gugu coloca todas as esperanças de um futuro melhor em uma indenização milionária que reclama do SBT, onde trabalhou durante 12 anos.
 
O trabalho na lavoura, além de gerar um “salário incentivo” e duas cestas de alimentos orgânicos por semana, serve como terapia e válvula de escape para a mágoa que ainda nutre pela emissora de Silvio Santos. “Estou trabalhando com a terra, pegando na enxada com orgulho. O SBT me mandou para a roça e eu gostei. Quando saio de lá, a tristeza chega”, diz.
Doente (ele diz ter depressão), com o pai sofrendo de câncer, Rodolfo confessa estar “desesperado” para por a mão na indenização trabalhista. “A minha saúde tá ruim, tô morrendo de tristeza. Meu pai está vencendo um câncer e temos poucas condições financeiras. Estou desesperado. Minha vontade é de me acorrentar na frente do SBT para protestar e chamar a atenção de Silvio Santos”, diz.

Rodolfo em plantação de brócolis orgânicos em que trabalha duas vezes por semana 

Rodolfo processa o SBT na Justiça Trabalhista desde 2009, quando deixou a emissora. Em 2012, ganhou em primeira instância o direito de receber uma série de indenizações, como férias, 13º salário, Fundo de Garantia, aviso prévio e, principalmente, as diferenças decorrentes da redução de salário que sofreu, de R$ 34 mil em 2000 para R$ 5.000 em 2009. Somando tudo, são alguns milhões de reais. 

Em 29 de abril deste ano, a sentença foi confirmada em última instância pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), mas o SBT vem protelando o pagamento com recursos processuais. “A gente aguarda agora o TST confirmar que o processo está transitado em julgado e ver se o SBT vai pagar ou entrar com novo recurso”, diz o advogado de Rodolfo, Ronaldo Sposaro Júnior. Na Justiça Trabalhista, é raro um tribunal alterar uma sentença de primeira instância. “Estão tentando ressuscitar uma coisa que já está morta”, completa Sposaro Júnior.
O SBT discorda. “Ainda pende recurso extraordinário”, diz a emissora em nota. “Sequer o advogado do reclamante deu início à execução provisória da sentença, o que poderia antecipar os eventuais recebíveis”, relata, via assessoria de imprensa.


Depressão

Rodolfo só conseguiu trabalhos esporádicos na TV depois que saiu do SBT. Em 2010, ficou três meses no programa de Sonia Abrão, na RedeTV!. No ano passado, voltou a acordar famosos no programa de Gugu Liberato, na Record, mas a fórmula com a qual fez sucesso nos anos 2000 já não funciona mais.
O ex-repórter do microfone comprido tem recebido ajuda justamente de Gugu para cuidar da saúde frágil. “Fiz mais de 30 exames, não tenho nada, amém. O Gugu me pagou todos exames. O médico falou que estou com vermes. Minha doença é depressão”, fala.
Na semana passada, um simples quadro do Programa Silvio Santos deixou Rodolfo ainda mais pra baixo. O dono do SBT fez uma pergunta envolvendo a dupla que formou com ET, morto em 2010, em um quadro chamado Bolsa Família. Para Rodolfo, foi uma “provocação pública”, uma ironia com as dificuldades financeiras que enfrenta atualmente. “Sabemos que foi para me “zoar”, diz.
Ontem (16), Rodolfo reforçou seu papel de vítima em uma rede social. “O que me incomoda no momento é ver a desobediência acompanhada da provocação pública, a postergação do fim de uma maldade que me foi feita por gente poderosa”, escreveu. 
Rodolfo já sabe o que fará com parte do dinheiro que espera receber do SBT. “Há anos decidi trabalhar com a terra para plantar orgânicos. Espero receber daquela empresa e investir nisso. Um amigo engenheiro agrônomo me dá aulas. Vou plantar e colher, trabalhar na terra, já que ninguém quer fazer isso”.

Jornalismo popular

Rodolfo, apesar das dificuldades que enfrenta, vive em uma casa confortável em um condomínio luxuoso na Grande São Paulo, comprada quando estava no auge. Não tem carro, gasta pouco.
Ele tem 45 anos e é formado em jornalismo, mas se considera um artista. Começou a carreira no jornalismo popular, no início da década de 1990. Produziu reportagens policiais para Gil Gomes e de direito do consumidor para Celso Russomanno no extinto Aqui Agora, do SBT. Trabalhou com Carlos Massa, o Ratinho, na CNT e depois na Record, onde formou a dupla com ET.
Em 1998, voltou para o SBT. As tentativas de acordar Silvio Santos e outros artistas renderam ao Domingo Legal picos de 30 pontos no Ibope e a liderança eventual de audiência. Um CD da dupla, com o hit A Dança do ET, vendeu mais de 270 mil cópias.

Informações: NTV, via Uol

Moradores de rua viajam a pé durante 3 anos de São Paulo ao Ceará



“Tava com muita saudade. É muito ruim a pessoa passar muito tempo longe da mãe”, conta a cearense.
A caminhada de Francisco Wellington, a esposa Silvia Renata e a cachorrinha Sabrina durou três anos. Eles saíram de Osasco, em São Paulo, e foram até Iguatu, no Ceará.

Eles saíram de São Paulo em 2013, após passarem dificuldades e sentirem saudades da família. Perderam a casa, o filho, e Wellington perdeu os pais. Mas uma coisa eles ganharam: a coragem.

“A gente tava jogado na rua, dormindo ao relento e eu vi que aquela vida não dava pra gente. Então eu tive a fé em Deus de fazer esse carrinho e seguir a estrada novamente”, explica Wellington. Foram 1.095 dias de superação, trabalhando e pedindo ajuda pelo caminho.

Silvia Renata, também conhecida como Karina, é natural de Iguatu e desejava reencontrar a família em sua cidade natal. “Tava com muita saudade. É muito ruim a pessoa passar muito tempo longe da mãe”, conta Karina, emocionada.

Um carro de apoio, pesando aproximadamente 500 kg, era o que transportava a cachorra Sabrina e abrigava o casal quando não conseguia hospedagem. Agora, na chegada ao Ceará, eles possuem abrigo familiar na casa dos pais de Karina. “Não tá faltando abraço, não tá faltando carinho e nem amor”, agradece Wellington.

Apesar de tudo, o casal agora tem uma nova vida pela frente. Com a gravidez de Karina, eles pretendem reconstruir a vida e dar felicidade à família.

Confira a reportagem exibida no programa Gente na TV:
Fonte: Tribuna do Ceará

Rebeliões sinalizam fim de pacto entre PCC e CV e espalham tensão em presídios



Acordo de paz entre as duas facções durou quase duas décadas e pode ter chegado ao fim.

O possível fim da aliança de quase duas décadas entre as duas maiores facções criminosas do país, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), mergulha os presídios brasileiros em tensão e há o temor de que tudo termine em sangue. As organizações, originárias respectivamente do Rio de Janeiro e de São Paulo, sempre conviveram de forma relativamente harmoniosa no sistema prisional e nas ruas de quase todos os Estados. Chegaram a ser parceiras em várias empreitadas, atuando em uma espécie de consórcio criminoso na compra de armas e drogas no Paraguai, Colômbia e Bolívia. No Ceará, por exemplo, elas articularam um acordo que ficou conhecido entre os moradores como a pacificação das periferias. As rebeliões ocorridas no domingo (16) centros de detenção em Roraima e Rondônia, no entanto, estão sendo consideradas um sinal evidente da cisão entre elas.
Na penitenciária agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, ao menos 10 presos do CV foram mortos quando detentos ligados ao PCC arrebentaram os cadeados que separam as alas e invadiram o setor da facção fluminense. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima, pelo menos seis presos foram decapitados e queimados, o que dificultou a identificação dos corpos. O conflito ocorreu durante o horário de visita, o obviamente mais importante e pretensamente protegido no código não escrito dos detentos, o que foi lido como mais um indicativo da divisão profunda entre as facções. Horas depois, numa prisão de Porto Velho, um motim semelhante deixou oito presos mortos. Em São Paulo, nesta segunda-feira, houve uma rebelião no presídio de Franco da Rocha, com a fuga de entre 200 e 300 detentos, sem informações sobre mortos, feridos ou indicações suficientes até agora de relação com os episódios no Norte do país.

Uziel de Castro, secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, afirmou nesta segunda-feira que as rebeliões foram uma "determinação nacional" do PCC para que seus integrantes atacassem integrantes do CV. "Eles declararam guerra entre as facções (...) estamos percebendo nacionalmente o rompimento desse acordo entre eles." Castro citou também rebeliões no Pará, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades locais. Indagado sobre o racha entre as facções, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que não faria comentários “sobre grupos criminosos”, e afirmou que “não é possível se combater de forma séria e dura o crime organizado se não começarmos pelos presídios”.

A socióloga Camila Nunes Dias, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, diz que as duas facções já vinham se ameaçando desde julho em enfrentamentos pontuais dentro do sistema penitenciário. “Houve tentativas de evitar a ruptura definitiva, mas após os acontecimentos desse final e semana isso deixou de ser possível”, diz. “Os dois grupos tem uma estratégia de expansão nacional e chega um momento nesse projeto que um começa a atrapalhar o outro.”

Agora, existe o receio de que a violência se espalhe para outras unidades do sistema penitenciário – e também para as ruas. As duas facções têm presença nacional e um confronto aberto entre elas pode levar a um aumento significativo dos homicídios e da violência no país, de acordo com especialistas. “O momento é de tensão e expectativa em termos da repercussão da quebra dessa aliança”, afirma Luiz Fábio Paiva, professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência.

Temendo represálias provocadas pelo rompimento entra as facções, dezenas de presos paulistas que cumpriam pena em presídios controlados pelo Comando Vermelho pediram transferência para outras unidades, de acordo com informações do jornal Extra. Segundo a reportagem, os pedidos começaram há cerca de dez dias. Entre os detentos transferidos estaria Ronny Faria e Silva, o Roninho, a principal liderança do PCC no Rio de Janeiro, preso em fevereiro de 2014, acusado de liderar o assalto ao avião pagador da TAM em São José dos Campos, em 1996. A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado não comentou as transferências e disse que tomou todas as medidas cabíveis.

Alguns dos presos do PCC teriam sido levados para unidades dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do CV, o que, se confirmado, pode fomentar uma nova aliança criminosa com reflexos nas lutas territoriais por pontos de venda de droga no Rio. Já em São Paulo, o PCC não tem grupos rivais aos quais a facção fluminense possa se aliar, portanto as chances de que a violência provocada pelo fim da paz entre ambas atinja as ruas são menores, de acordo com especialistas. “É difícil saber em que medida o enfrentamento que aconteceu em Roraima e Rondônia irá se expandir para outros territórios, mas o potencial de conflito em outros Estados é enorme, tendo em vista a penetração das facções”, afirma o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Luis Fábio Paiva avalia que o barril de pólvora que tomou conta dos presídios do Norte e do Rio pode transcender as fronteiras estaduais. “Pela natureza destes grupos criminosos as ações devem extrapolar para as ruas, especialmente nesses territórios [do Ceará] em que houve a pacificação patrocinada pelo entendimento entre eles”, afirma. Para o professor, esse pode ser o início de um processo de ruptura com consequências ainda imprevisíveis. “Até então vigorava uma irmandade do crime entre o PCC e o CV. Agora, caso se confirme a guerra aberta, eles passam a funcionar de uma maneira diferente, é preciso aguardar e ver qual será o tamanho do estrago”.\
Domínio nas rotas

Nos últimos anos, o PCC fortaleceu sua presença em algumas das mais importantes rotas do tráfico internacional de drogas e armas. A facção é responsável pelos principais carregamentos de cocaína vindos da Colômbia e Bolívia e maconha do Paraguai. O Comando Vermelho, por sua vez, perdeu preponderância nestas rotas após a prisão de Luiz Fernando Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em 2001 na Colômbia. À época, ele negociava com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia para a compra de cocaína.

Em 22 de junho deste ano, a facção paulista realizou uma operação cinematográfica para assassinar o traficante Jorge Rafaat Toumani, de 56 anos, conhecido como o rei do tráfico na fronteira do Paraguai com o Brasil. Em uma ação com mais de 100 mercenários que usaram até mesmo uma metralhadora ponto 50 – capaz de derrubar helicópteros -, Rafaat foi fuzilado no meio da rua. Para o padre Valdir Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, o desentendimento entre as facções pode ter relação com o controle das rotas de droga. “O que determina as parcerias no crime é o controle do comércio de drogas, é uma questão externa aos presídios”, afirmou.
 
Fonte: El País