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sábado, 7 de janeiro de 2017

Pesquisadores belgas descobrem proteína capaz de prevenir obesidade e diabete


A bactéria Akkermansia muciniphila. Proteína faz parte da membrana externa da bactéria (Foto: Huskonen & Willem M de Vos)


Pesquisadores da Universidade Católica de Lovaina (UCL), na Bélgica, descobriram uma proteína capaz de prevenir o desenvolvimento da obesidade e da diabete tipo 2 em ratos.

A descoberta foi publicada nesta segunda-feira na revista especializada Nature e abre caminho para o desenvolvimento de um medicamento contra as duas doenças que afetam, respectivamente, 600 milhões e 400 milhões de pessoas em todo o mundo.

Batizada de Amuc_1100, a proteína faz parte da membrana externa da bactéria Akkermansia muciniphila, que vive exclusivamente na flora intestinal de animais vertebrados, como o homem.

A equipe liderada pelo professor Patrice Cani descobriu que, administrada em grande quantidade, essa proteína bloqueia completamente o desenvolvimento de intolerância a glicose e de resistência a insulina, tanto em um regime normal como em um regime rico em gordura.

Ela atua como uma espécie de barreira protetora, diminuindo a permeabilidade do intestino e impedindo que toxinas presentes na massa fecal entrem na corrente sanguínea.

"A permeabilidade intestinal é responsável pela passagem ao sangue de determinadas toxinas que contribuem para o desenvolvimento da diabete, de inflamações, para o fato de que algumas pessoas obesas sintam fome constantemente e para várias desordens metabólicas", explicou Cani em entrevista à BBC Brasil.

Essa barreira também reduz a absorção de energia pelo intestino, resultando em menor ganho de massa corporal.
Acaso

Foi por acaso que Hubert Plovier, doutorando da equipe de Cani, descobriu a proteína Amuc_1100.

A bactéria Akkermansia muciniphila é conhecida por sua capacidade de reduzir em entre 40 e 50% o ganho de massa corporal e de resistência a insulina em ratos, comprovada em 2013 também por Cani.

Mas o teste em humanos esbarrava na dificuldade de reproduzir sinteticamente a bactéria, sensível ao oxigênio.

Para resolver o problema, Plovier optou pela pasteurização, um processo no qual uma substância é aquecida a 70 graus.

"Descobrimos não só que a bactéria produzida dessa maneira conserva suas propriedades, mas também que dobra em eficácia, detendo totalmente o desenvolvimento da obesidade e da diabete tipo 2, independente do regime alimentar", afirma Cani.

Ao investigar as razões do ganho em eficácia, os pesquisadores observaram a presença da proteína Amuc_1100 ainda ativa na bactéria pasteurizada.

"Quer dizer, a pasteurização elimina o que é desnecessário na bactéria e preserva a proteína, o que explica essa eficácia multiplicada."

A equipe testou os efeitos da proteína isolada em três séries de testes com ratos e obteve, em todas elas, os mesmos resultados do tratamento com a bactéria Akkermansia muciniphila pasteurizada.

Submetidos a um regime rico em gordura e altamente calórico, os animais que receberam a bactéria viva ganharam menos peso e desenvolveram menos resistência à insulina que os que receberam um placebo.

No caso dos que receberam a bactéria pasteurizada ou a proteína isolada, o tratamento deteve totalmente o ganho de peso e a resistência à insulina.
Futuro remédio

O tratamento com Akkermansia muciniphila pasteurizada já foi submetido a uma primeira fase de testes em humanos e a conclusão é que sua administração não apresenta riscos para a saúde.

A prova foi realizada com quatro grupos de dez voluntários, em alguns casos durante 15 dias, em outros durante três meses, seguindo os procedimentos habituais para esse tipo de pesquisas.

Um grupo recebeu uma dose diária de um bilhão de bactérias vivas, outro 10 mil bactérias vivas, o terceiro um bilhão de bactérias pasteurizadas e o último um placebo.

Segundo Cani, nenhum dos voluntários apresentou qualquer problema.

A segunda fase de testes em humanos, para determinar os efeitos clínicos da bactéria sobre a obesidade e a diabete, deve ser concluída no segundo semestre de 2017 e contar com mais de 100 voluntários.

Se os resultados forem positivos, será o primeiro passo para o desenvolvimento de um futuro produto terapêutico contra ambas doenças, que poderia chegar ao mercado em um prazo de cinco ou seis anos.

Já para o desenvolvimento de um remédio, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário testar o uso da proteína isolada em humanos e descobrir uma maneira de produzi-la em grande escala.

O processo todo poderia demorar pelo menos dez anos.

Cani pretende também comprovar os efeitos da Akkermansia muciniphila sobre outras doenças relacionadas, como alto nível de colesterol, arteriosclerose, inflamação intestinal e mesmo câncer.
Fonte: BBC Brasil

Mais de 4 mil detentos foram transferidos entre presídios cearenses


Líderes de facções em presídios do Ceará são transferidos para evitar conflitos entre grupos (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)


Mais de quatro mil presos foram transferidos entre os presídios cearenses desde a terça-feira, 3, segundo informações do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen). A medida foi iniciada 48 horas após rebeliões e mortes ocorridas no maior presídio de Amazonas, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Em Manaus, foram 56 mortes. Na madrugada de ontem, novo massacre deixou 33 mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, conforme a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejuc) em Roraima.

No Ceará, líderes e presos vinculados às facções criminosas são transferidos como medida de prevenção. A identificação de pertença a um dos grupos segue a declaração dos presos. “Não estamos fora de risco, estamos em alerta, com todo o efetivo de prontidão. Pode haver quem não tenha declarado a que facção pertence”, explica Ruth Vieira Leite, membro do Copen e especialista em Criminologia e Direito Penitenciário. Ela detalha também que é forte a ligação entre os líderes de facções dos presídios do Ceará com os de Amazonas.

Durante esta semana, as atividades de educação, saúde e assistência jurídica no sistema penal do Estado ficaram paradas enquanto as transferências estiveram em primeiro plano.

Em nota, a Secretaria da Justiça do Ceará (Sejus) informou que a contagem “das movimentações realizadas” entre as unidades prisionais nesta semana está sendo finalizada e um número “concreto” deve ser divulgado somente nesta segunda-feira, 9.
Tentativas

A conselheira lembra ainda que algumas medidas foram tomadas pelo Estado em 2016, em tentativa de estabilização do sistema, como a retirada de presos das delegacias e a inauguração de nova unidade em Itaitinga, no mês de novembro. Medidas que chegaram após rebeliões do mês de maio, deixando 14 mortos nas unidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

“As ações foram insuficientes, pois a demanda da superlotação é de décadas”, analisa Ruth. Conforme o órgão vinculado à Sejus, a população carcerária ultrapassa em 60% a capacidade do sistema. No Ceará, as disputas dentro dos presídios envolvem pelo menos três facções: Guardiões do Estado (GDE), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme O POVO publicou ontem. A Sejus não confirma a separação, tendo afirmado, ainda na terça-feira, que o objetivo é “desarticular lideranças e prevenir conflitos”.
Morte investigada

Também na madrugada de ontem, a morte de Roberto Pereira de Souza, 39, foi registrada na Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL IV), em Itaitinga. Segundo informações da Sejus, o corpo do preso foi retirado pelos agentes e apresentava “muitas marcas de lesão”. Roberto respondia por homicídio e roubo. A pasta informou que a morte será investigada, seguindo procedimento padrão. Assim, não foi esclarecido se o caso tem relação com os conflitos registrados no Amazonas e em Roraima.

Em meio à tensão, o sistema cearense ganhou novo comando. O nome de Socorro França como secretária da Justiça foi confirmado, na manhã de ontem, pelo governador Camilo Santana (PT). Ela deixa de comandar a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) para assumir o lugar do advogado Hélio Leitão.
 
Fonte: O Povo