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sábado, 29 de julho de 2017

Governo teme que falta de quórum adie votação de denúncia na Câmara


A preocupação da tropa de choque de Temer é que a oposição obstrua a sessão (Foto: Reprodução/ Google)


Parlamentares da base aliada já começam a trabalhar com a possibilidade de que não haja quórum para votar a denúncia contra o presidente Michel Temer na próxima quarta-feira, 2, o que pode adiar a votação em plenário.

A preocupação da tropa de choque de Temer é que a oposição obstrua a sessão e não marque presença para que o governo continue "sangrando" e fique exposto a novos fatos que possam mudar o placar, hoje favorável a Temer. Também afirmam que a não apreciação da denúncia poderia paralisar ainda mais a pauta no Congresso, em um momento em que o Palácio do Planalto espera poder retomar a agenda das reformas, especialmente a da Previdência.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira, 28, que acredita que haverá o número necessário de deputados na Casa para votar a denúncia. Ele estimou em 480 o número de presentes no dia da sessão. "Nosso papel é votar. Não votar é manter o País parado neste momento ainda de muitas dificuldades", disse. "Não podemos deixar o paciente no centro cirúrgico com a barriga aberta."

Nos últimos dias, integrantes da tropa de choque do governo aumentaram as cobranças em relação aos deputados da oposição, para que eles compareçam ao plenário na próxima semana e ajudem o governo a alcançar o número de parlamentares necessários para dar início à sessão na Câmara.

Na quinta-feira, 27, ao chegar para um jantar com Temer no Jaburu, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que seria "antipatriótico" a oposição obstruir e não dar quórum no plenário. "O que desejamos é que a oposição encerre as suas férias, vote e não se omita diante de um momento tão importante e decisivo para a vida da nação. Neste momento, prorrogar, delongar ou atrapalhar é uma atitude irresponsável e antipatriótica", completou.

Pela contagem do Planalto, Temer terá pelo menos 280 votos, número suficiente para derrubar a denúncia, mas não para garantir o quórum mínimo de 342 deputados no plenário.

Segundo o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRB-SP), a estratégia nos últimos dias têm sido conversar com deputados dissidentes da base para que eles marquem presença mesmo que votem contra Temer. "Estamos dizendo que mesmo que não queira votar, marca presença e vai embora, para deixar resolvido isso na quarta-feira", disse.
Quórum

A oposição ainda não definiu uma estratégia para a próxima semana. Na terça-feira, dia 1º, deputados de partidos como o PT, PCdoB, PSOL e Rede farão uma reunião para decidir se irão ou não dar quórum no dia da votação.

Para o deputado da Rede, Alessandro Molon (RJ), a oposição não deve contribuir para realizar uma sessão "esvaziada", o que daria uma vitória fácil a Temer, já que a aceitação da denúncia requer o voto de 342 deputados. "É fundamental que todos os parlamentares estejam presentes e demonstrem para o País de que lado estão", disse.

Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defende que a oposição não marque presença em plenário para explicitar a dificuldade do governo até em ter quórum suficiente para abrir a votação da denúncia. "O primeiro constrangimento é mostrar para a sociedade que ele não tem número, que ele não tem mais base suficiente para derrubar uma acusação", disse o petista.

Nesta sexta, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, minimizou a possibilidade de não haver quórum e reiterou o discurso de que não é obrigação do governo colocar os deputados para votarem. "Se a oposição não colocar o quórum, o governo vai continuar trabalhando normalmente e obtendo as vitórias expressivas no Congresso como tem sido até o momento", disse.

Auxiliares do presidente, no entanto, dizem que ele está incomodado com a situação e tem pressa para encerrar o assunto já na próxima semana. A ideia do governo era derrubar a denúncia no plenário antes do início do recesso, em 17 de julho. Diante da constatação de que a base não conseguiria colocar o número de parlamentares necessário em plenário na véspera das férias do Congresso, os governistas aceitaram adiar a votação para agosto.
NoticiasaoMinuto

Após decreto, Forças Armadas já atuam na segurança pública do Rio


Cerca de 100 homens do Exército circulam na Washington Luis, em Duque de Caxias (Foto: Cléber Júnior/Extra/Agência O Globo)


Caminhões-tanque e homens do Exército já podem ser vistos circulando pelas ruas nesta sexta-feira (28) da região metropolitana do Rio de Janeiro. Ao todo, mais de 10 mil agentes federais de segurança atuarão no Estado até o final deste ano --com prazo prorrogável até dezembro de 2018-- para combater a violência no Estado.

Os primeiros reforços na segurança pública da região tomaram posição no início da tarde de hoje no Arco Metropolitano, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, entre outras rodovias e vias importantes da região metropolitana. Apesar de o foco da atuação dos militares não ser desta vez o patrulhamento das ruas, diferentemente das operações na Copa e Olimpíadas, os militares fazem neste momento um trabalho de reconhecimento da área visando ações futuras.

A medida foi autorizada pelo presidente Michel Temer (PMDB), por meio de um decreto GLO (Garantia da Lei e da Ordem). O procedimento é necessário para a atuação das Forças Armadas em ações de segurança pública, que é competência do Estado.

De acordo com o decreto, os militares poderão participar das ações até 31 de dezembro. Apesar de o prazo do decreto se encerrar neste ano, o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), esclareceu que os militares ficarão até o final de 2018. Ele explicou que a data do decreto, com término em dezembro de 2017, se deve a questões orçamentárias relacionadas ao ano fiscal.

Entre as últimas vezes que o Exército atuou como força de segurança, estão ações na Copa do Mundo, em 2014; na Olimpíada, em 2016; e nas eleições. Segundo o Ministério da Defesa, de 2010 a 2017, foram realizadas 29 ações de garantia da lei e da ordem. Nessas ações, as Forças Armadas agem em área restrita e por tempo limitado a fim de garantir a integridade da população e o funcionamento das instituições.

Segundo Jungmann, os 8.500 homens das Forças Armadas se somarão a 620 agentes da Força Nacional, a 380, da PRF (Polícia Rodoviária Federal) --anunciados recentemente como reforço--, e a 740 agentes locais dessa corporação. Os militares já se encontram no Estado. Segundo ele, o foco das ações será a região metropolitana do Rio.

O ministro não especificou como serão as ações, que integram o Plano de Nacional de Segurança, mas que os agentes irão auxiliar as forças de segurança locais. As tropas armadas, afirmou o ministro, irão atuar com o "elemento surpresa", de acordo com a necessidade das polícias do Rio.

"Quem vai orientar a nossa ação é a polícia. Nós estamos no Rio em busca de segurança e paz, mas sabemos que haverá reação. Nossa mensagem é: ´Não vamos recuar´."
Fonte: UOL