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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Odebrecht tabelava doação a políticos dependendo do cargo em disputa

BRASILIA, DF, BRASIL, 06-03-2017, 12h00: O ex-executivo da Odebrecht Alexandrino de Alencar é visto no aeroporto de Brasília ao desembarcar na cidade, vindo de São Paulo. Alexandrino irá prestar depoimento ao ministro Herman Benjamin, do TSE no processo que pede a cassação da Chapa Dima/Temer. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVO***
Quanto mais influente era o cargo pleiteado por um candidato, maior era a aposta da Odebrecht em sua eleição.

Na disputa de 2014, um aspirante a deputado estadual podia receber em média, R$ 30 mil da empreiteira. A deputado federal, R$ 50 mil. Candidatos a governador ganhavam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. Senadores, de R$ 80 a R$ 100 mil.

"Para [candidatos a] presidente, logicamente não tinha esse padrão", contou Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações institucionais do grupo, em sua delação a investigadores da Lava Jato. As quantias são uma estimativa do executivo para aquele ano -de memória, ele disse que não saberia cravar valores.

Doações que desviassem muito da média da tabela eram indício do interesse excepcional da Odebrecht no político, afirmou o delator: "Ou era um deputado estratégico ou tinha alguma contrapartida já bem explícita".

Folha de S.Paulo

Presidenciáveis fora da "lista de Fachin" ensaiam discurso ético para 2018

Ciro, Marina e Bolsonaro dizem que lista não surpreendeu
Os três presidenciáveis que ficaram de fora da "lista de Fachin" já ensaiam um discurso ético para as eleições de 2018. Ciro Gomes (PDT-CE), Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Marina Silva (Rede-AC) avaliam que a lista de pessoas citadas não surpreende e criticam os investigados pela Lava Jato.

A ex-ministra do Meio Ambiente no governo Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou para atacar a gestão Michel Temer, o Congresso Nacional e o PT, para o qual, segundo ela, "o poder de partido falou mais alto do que o poder de nação".

Marina ressaltou que "não é o momento para discutir nomes de quem está ou não na lista, mas, sim, de pensar como o Brasil vai fazer essa travessia para uma sociedade melhor, de como mudar um Congresso que está lá graças ao caixa 2 e à corrupção".

A ex-ministra disse ainda que "a eleição de 2014 foi uma fraude por causa do abuso de poder econômico". Questionada sobre como fazer uma campanha sem se relacionar com a corrupção, ela afirmou que as campanhas podem ser diferenciadas e não precisam ser do jeito que estão. "Esse modelo de política não funciona. O poder concentra o poder nele mesmo", disse.

Já Bolsonaro afirmou que esperava os nomes que estão na lista. Disse que, "quando o Poder Executivo vai ao Congresso, é para comprar voto". Quanto às eleições de 2018, o deputado afirmou que, "se o povo reeleger o atual Congresso, ele merece o poder que tem".

O deputado afirmou que, se eleito, não vai lotear o governo em troca de governabilidade. Perguntado se isso não traria caos ao Planalto, Bolsonaro disse que "caos é o atual governo".

Risco
Ex-ministro de Itamar Franco e também de Lula, Ciro Gomes atacou a generalização que a divulgação dos investigados no STF causa na sociedade. "A pena política não pode ser a mesma de alguém que recebeu R$ 50 mil com recibo e de outro que vendeu uma medida provisória", afirmou. Segundo ele, "o pior dos mundos é incitar a opinião pública, o que coloca em risco a democracia".

O pré-candidato do PDT ainda criticou os outros dois que estão fora da lista de Fachin. "Olha o moralismo da Marina, do Bolsonaro!" Quando questionado quem seria seu maior adversário em uma corrida presidencial, o cearense respondeu: "Se o debate for inteligente sobre qual a solução do Brasil, eu reino!".

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".