O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, causou um novo tumulto na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 nesta quarta-feira, 19.
O bate-boca começou após o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello ser questionado sobre uma afirmação feita por ele quando deixou a pasta, em março, quando disse que políticos estavam insatisfeitos com sua gestão por não terem recebido "pixulé".
Segundo Pazuello, quando falou em "pixulé", ele se referia a pequenos saldos de projetos que não foram aplicados, e que políticos poderiam realocar.
De acordo com o ex-ministro, durante sua gestão, não houve esses recursos não aplicados. "Nós pegamos todos os saldos não aplicados, fizemos uma única portaria e investimentos na covid-19, no combate à covid-19", afirmou.
Em momento anterior ao interrogatório, Pazuello disse ainda que não tem conhecimento de ter havido "mau uso" da verba transferida pelo governo federal. "Que eu tenha conhecimento, não", declarou.
Com a insistência do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), em saber se Pazuello se referia a alguém especificamente em sua crítica, Flávio Bolsonaro se manifestou na defesa do ex-ministro dizendo que Renan "está lembrando do Lula".
A afirmação causou um pequeno bate-boca entre o filho do presidente Bolsonaro e o senador Humberto Costa (PT-PE), que pediu a Flávio que tivesse respeito ao ex-presidente da República.
Após a discussão, a sessão voltou a ocorrer normalmente, com questionamentos do relator da comissão, que também indagou a Pazuello ao que ele atribuía sua demissão do Ministério da Saúde. Pazuello se limitou a responder: "missão cumprida".
Terra
Pazuello passa mal e depoimento à CPI da Covid é adiado
Testemunha desta quarta-feira, 19, Eduardo Pazuello passou mal no intervalo da CPI da Covid e o depoimento do ex-ministro da Saúde foi adiado, informou o presidente da comissão do Senado, Omar Aziz (PSD-AM).
"Suspendemos a sessão de hoje por conta do plenário do Senado. Ainda há 23 senadores inscritos. Voltaremos amanhã às 9h30", anunciou o senador no Twitter.
A sessão já estava suspensa em razão das votações no plenário do Senado, mas a previsão inicial era de que seria retomada ainda nesta quarta-feira.
Segundo o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Pazuello teve um mal-estar, uma síndrome vasovagal, foi atendido de imediato por Alencar e se recuperou.
O ex-ministro foi atendido pelo médico e senador Otto Alencar (PSD-BA). Em entrevista à CNN, Alencar afirmou que o ex-ministro "poderia continuar" a dar o depoimento. "Nós já fizemos o atendimento", disse o senador e médico.
E acrescentou: "Ele estava muito pálido, tonto. Ele teve uma síndrome vasovagal. O sangue deixa muito o cérebro, perde a consciência, fica tonto e estava muito pálido e a pressão caiu também. Deitamos ele no sofá, o sangue refluiu para o cérebro, ele ficou corado, se recuperou, estava respirando muito bem, podia perfeitamente continuar a oitiva. Foi suspenso (o depoimento), mas não foi por nenhuma sequela."
Na saída do Congresso, Pazuello deu uma rápida declaração para jornalistas e confirmou que retomará o seu depoimento à CPI na manhã desta quinta-feira, 20.
* Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo


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