Em apenas oito dias, uma família de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, perdeu três membros: a mãe e dois filhos. Os irmãos morreram com Covid-19 em um espaço de um dia.
A família Nunes enterrou o filho mais velho neste domingo (3), sem velório, e eles voltam para o mesmo cemitério para o sepultamento do mais novo nesta terça-feira (5).
Com quatro filhos, Dona Solange tinha o hábito de brincar que tinha seguranças. No dia 25 de abril, ela sofreu um infarto em casa e foi levada para o hospital, mas não resistiu.
Poucos dias depois, a família voltou a ter perdas. O filho mais velho, Paulo Ricardo, de 45 anos, morreu com o novo coronavírus no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte, nesta sexta-feira (1º). Ele trabalhava como locutor em um supermercado em São João de Meriti, na Região Metropolitana.
Em uma rede social, a nora de Paulo publicou uma foto dele com os netos.
“Sabe o que mais está me doendo? Sempre que eles perguntarem por você, eu não sei o que eu vou dizer”, lamentou a nora.
O irmão mais novo, William, de 35 anos, foi outra vítima do novo coronavírus. O técnico de informática morreu no Hospital Balbino, em Olaria, na Zona Norte.
O pai dos irmãos contou que Paulo Ricardo e William não tinham doenças pré-existentes e os outros membros da família estão bem, sem sintomas.
Com informações G1
Mulher que defendia abertura do comércio lamenta morte do marido por Covid-19: 'não fiquei em casa'
Uma comerciante de Santa Rita, na Grande João Pessoa, que defendia o funcionamento do comércio e chegou a zombar do "fique em casa", gravou um vídeo para incentivar o isolamento social diante da pandemia do novo coronavírus. O marido dela, Marco Cirino da Cunha, de 57 anos, sargento reformado da Polícia Militar, morreu na última quinta-feira (30), por Covid-19.
Antes defensora do funcionamento do comércio e crítica do isolamento social, Silvana Cunha é dona de uma vidraçaria, mas hoje faz um alerta à população e implora que todos fiquem em casa.
"Há 15 dias, eu escutava essas palavras ‘fique em casa’ e até cheguei a zombar. Cheguei na loja e fiz um vídeo dizendo ‘fique em casa, mas quem vai pagar nossas contas no final do mês?’. Hoje eu digo, 'fique em casa'", relatou.
Após a morte do marido, Silvana fechou sua loja e foi para uma granja da família junto com o filho do casal, de 10 anos. Ela conta que a criança sente falta do pai.
"Essas palavras 'fique em casa' são muito pesadas pra mim hoje, porque eu não fiquei em casa, meu marido não ficou e infelizmente faleceu. Ontem eu senti o peso delas mais ainda, quando cheguei e meu filho olhou pra mim: 'mãe, você salvou meu pai?' e eu apenas disse que não".
Segundo relata Silvana, Marco começou a apresentar os sintomas de coronavírus, como tosse seca e falta de ar, no dia 15 de abril. No dia 17, Silvana levou o marido até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tibiri 2, onde foi diagnosticado com pneumonia.
"Implorei pelo exame de Covid porém o médico de plantão falou que não era sintomas de Covid. Ele fez alguns exames e diagnosticou pneumonia, passou um antibiótico e voltamos pra casa", diz Silvana.
No dia 22, Silvana conta que Marco sofreu uma grande falta de ar e desmaiou. Ele foi levado novamente para UPA onde foi transferido para o Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho, em João Pessoa.
Ainda na UPA, Silvana chamou uma clínica particular para realizar o teste de coronavírus, e o resultado deu falso negativo.
No Edson Ramalho, foi feito um outro teste, que deu positivo para Covid-19. Marco foi entubado, transferido para o Hospital Metropolitano de Santa Rita e morreu no dia 30 de abril. Ele tinha diabetes e doença cardiovascular.
"Esse vírus humilha os seres humanos, porque ele nos faz sentir inválidos diante da situação. Nem um 'Pai Nosso' deixaram eu fazer para ele", lamentou Silvana.
Silvana e o filho fizeram o teste para Covid-19 duas vezes, e todos os resultados foram negativos. Dona de uma vidraçaria em Santa Rita, Silvana fechou a loja e conta que tem sofrido preconceito na cidade devido à doença.
Agora Silvana alerta nas redes sociais para que a população de Santa Rita, com 162 casos confirmados até 6 de maio, fique em casa e se proteja.
Com informações G1


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