A prorrogação até 20 de maio do decreto que impõe o isolamento social no Estado, determinada, ontem, pelo governador Camilo Santana, mantém o funcionamento de atividades que compõem 74,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará, a exemplo dos serviços essenciais. O chefe do Executivo estadual justifica o aumento do rigor das medidas à maior velocidade de contaminação do novo coronavírus.
"Diante da gravíssima pandemia do coronavírus, que atinge o momento mais delicado, anuncio novas medidas, mais rigorosas, que visam aumentar o isolamento social, única forma para tentar diminuir a velocidade de contaminação, que tem superlotado as unidades de saúde e comprometido seriamente o atendimento", diz o governador.
Maia Júnior, secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), diz que, apesar do maior rigor no controle do isolamento, nada muda para o setor produtivo, valendo as mesmas regras impostas em decretos anteriores, nem agrava os impactos sobre a economia cearense.
"O decreto mantém o que está em funcionamento. Ele endurece o isolamento social para as pessoas, que chegou a taxas mais baixas, e isso está obrigando o Município de Fortaleza a adotar essas medidas contra a expansão da contaminação para outros municípios e bairros da cidade. É preciso controlar esse processo de expansão", avalia o secretário Maia Júnior.
O governador lamenta que, mesmo com os últimos decretos estaduais, muitas pessoas não vêm cumprindo as orientações e, consequentemente, agravando a velocidade de contágio. "Esse novo decreto para a Capital, que entra em vigor na sexta-feira, 8 de maio, estabelece uma série de restrições de circulação. Foi elaborado com base em estudos de nossa equipe de saúde, como sempre temos feito, juntamente com o prefeito Roberto Cláudio e sua equipe", diz ele.
Retomada
Segundo Maia Júnior, ainda nesta semana será apresentado ao governador um estudo sobre a flexibilização do decreto, mas o secretário reitera que a retomada das atividades hoje paralisadas só se dará quando indicadores da saúde mostrarem que a doença está controlada.
"O que se discute é que não vai haver flexibilização enquanto as taxas dos indicadores da saúde, controle de epidemia, óbitos, infraestrutura hospitalar não estiverem adequados. Estamos concluindo o estudo nesta semana. Mas tem as condicionantes que são esses gatilhos da saúde", explica o titular da Sedet.
O posicionamento é reiterado pelo diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mário Santos. "Eu acho que quanto mais eficaz for o isolamento, mais a gente consegue ter a capacidade para uma rápida retomada da economia. O fato de endurecer as regras é até benéfico para a economia. Do jeito que estava, com o isolamento feito parcialmente pela população, a gente viu que a contaminação estava aumentando. Sendo assim, você fica cada vez mais freando a reabertura da economia".
O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-CE), Luís Eduardo Barros, avalia que as medidas são "dolorosas", mas reconhece ser prudente a prorrogação do decreto. Ele, por outro lado, diz que o endurecimento das regras deve agravar os impactos sobre a economia.
"Mas a gente espera que o decreto vá atenuar a crise na saúde e, com isso, permitir a volta à normalidade em um tempo menor. As medidas são mais restritivas, e muitos negócios que vinham funcionando vão ter dificuldade de operar. Mas eu achei o prazo (15 dias) razoável", explica.
Regras mais rígidas
O decreto de ontem impôs mais rigor para o isolamento social em Fortaleza, como a proibição da circulação de pessoas em locais ou espaços públicos, salvo quando em deslocamentos imprescindíveis para atividades essenciais. Também estabeleceu o controle de veículos particulares em vias públicas, salvo deslocamentos justificados ou relacionados às atividades de segurança e saúde; transporte de cargas; serviços de transporte por taxi, mototáxi ou veículos por aplicativo.
O decreto ainda prevê o controle de entrada e saída de Fortaleza, o uso obrigatório de máscaras na Capital e o isolamento mandatório de pessoas comprovadamente infectadas ou com suspeita de Covid-19. Unidades de saúde, supermercados, farmácias e postos de gasolina, deverão autorizar a entrada de apenas uma pessoa por família, impedir a entrada de pessoas sem máscaras e atender prioritariamente pessoas do grupo de risco da Covid-19.
Motoristas do transporte público ou privado também não devem permitir a entrada de pessoas sem o uso de máscaras nos veículos e os serviços de entrega ficam mantidos.
FORTALEZA - Adolescente é perseguida e morta por homens armados em beco no Bom Jardim
Bruna Kelly da Silva tentou fugir, mas foi atingida por tiros na cabeça
Bruna Kelly da Silva, 19 anos, tentou se esconder em um beco mas foi encontrada pelos suspeitos
Cerca de três suspeitos armados perseguiram e mataram uma jovem de 19 anos no bairro Bom Jardim, na tarde desta terça-feira (5), por volta das 13 horas.
De acordo com Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a mulher foi identificada como Bruna Kelly da Silva.
De acordo com a Polícia Militar, a jovem chegou a correr e tentou se esconder em um beco, porém foi atingida por pelo menos três tiros na cabeça e morreu no local. Os suspeitos fugiram em seguida.
Testemunhas afirmam que a adolescente era usuária de drogas e teria falado informações proibidas sobre a facção que atua na região.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ficará responsável pelas investigações sobre o caso, para tentar identificar e capturar os envolvidos.

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