Com menos de 30 dias de quarentena e em meio a um cenário em que a retomada do contato social ainda parece distante, mais da metade dos brasileiros já sente no bolso os efeitos da pandemia do novo coronavírus. Pesquisa do Instituto Locomotiva, obtida com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, aponta que 51% das pessoas afirmam ter perdido renda e que já estão contingenciando seus gastos.
Segundo a pesquisa, o impacto da crise é praticamente o mesmo entre homens e mulheres. Por faixa etária, contudo, afeta mais o bolso dos trabalhadores com 50 anos ou mais (52%), com ensino superior completo (48%) e que residem nos Estados do Sudeste (38%). A região concentra São Paulo e Rio de Janeiro, as duas capitais com o maior número de infecções, segundo dados do Ministério da Saúde.
Para o presidente da Locomotiva, Renato Meirelles, a proporção de brasileiros afetada, que já é alta, deve crescer nas próximas semanas. E o brasileiro, ele afirma, espera que isso aconteça. "Levantamos que dois em cada três profissionais acreditam que seus empregos serão muito prejudicados no Brasil, apesar de 73% das pessoas defenderem o isolamento social como forma de frear o avanço da doença", diz Meirelles.
A pesquisa foi realizada entre 3 e 5 de abril e entrevistou, por telefone, cerca de mil pessoas em 72 cidades do País. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais para cima e para baixo.
Brasileiros estudam vacina que combina vírus da gripe com Sars-CoV-2
Comandado pelo Grupo de Imunologia de Doenças Virais da Fundação Oswaldo Cruz (Friocruz) de Minas Gerais, pesquisadores brasileiros estudam vacina para tratamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O imunizante combina vírus da gripe com o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19.
As informações são da Revista Galileu.
O projeto acontece em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outras instituições do País. “Nosso objetivo é criar uma vacina bivalente, ou seja, ela pode proteger o indivíduo tanto do Sars-CoV-2 quanto da influenza (a gripe)”, explica o pesquisador Alexandre Machado, da Fiocruz Minas, à revista.
A ideia é que o vírus da gripe funcione como um vetor vacinal, isto é, que ele transporte também parte da proteína do novo coronavírus. Assim, a pessoa imunizada consegue produzir anticorpos contra as duas doenças.
Não há risco de desenvolver qualquer uma das enfermidades. Nesse modelo de vacina, o vírus é modificado de forma que ele fique mais fraco. Assim, a pessoa não será infectada — o corpo identifica a presença dos microrganismos e consegue criar defesas contra eles, ganhando imunidade.
O tempo é essencial para a pesquisa. As próximas etapas do projeto incluem testar a fórmula em células de laboratórios e em camundongos. Se tudo ocorrer bem, aí sim serão realizados estudos em humanos. Todo esse processo pode levar até dois anos. “Se tudo der certo, a vacina bivalente pode ser até mais barata do que uma vacina exclusiva para a Covid-19”, destaca Machado. O objetivo é que o imunizante possa ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O desafio no caso do Sars-CoV-2 é que ele um vírus totalmente novo e, portanto, ainda desconhecido em muitos aspectos. “Quando tivemos o surto de gripe suína, em 2009, a área científica e médica já tinha uma noção do H1N1. Portanto, os laboratórios só tinham que correr para criar o medicamento. No caso do coronavírus, é diferente. Tudo está sendo erguido do zero”, esclarece o cientista.
Com informações O Povo Online


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