Web Radio Cultura Crato

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

44 feminicídios foram registrados no Ceará até o início de dezembro deste ano

Foto Arquivo pessoal 
O Ceará registrou 44 feminicídios até o dia 12 de dezembro deste ano, conforme levantamento do g1. É o maior número desde 2018, quando este tipo de crime passou a ser contabilizado nas estatísticas da Secretaria da Segurança.

O número não é oficial, pois a SSPDS contabilizou até o momento os casos de janeiro a novembro, que chegam a 42 feminicídios. No entanto, uma fonte ouvida pelo g1 relatou que os feminicídios no Estado podem chegar a 50 casos até a primeira quinzena de dezembro.

A maioria dos crimes de 2025 ocorreram no primeiro semestre, quando 24 mulheres foram assassinadas no Estado no contexto de violência doméstica ou em aversão ao gênero da vítima.

O número de crimes de feminicídio deste ano superou todos os anos anteriores e representa um aumento de 7,3% em comparação com 2024, quando 41 mulheres foram assassinadas durante o período.

Conforme os dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia (Supesp), que ainda não contabilizou os crimes de dezembro, a maioria das vítimas de feminicídio tinham entre 24 a 29 anos. Elas foram assassinadas com arma branca, seguida de arma de fogo e outros meios.

Em entrevista à TV Verde Mares, o governador Elmano de Freitas falou sobre o aumento de feminicídios no Estado.

"Em regra, quem pratica o feminicídio ou é o ex-namorado, o ex-marido, o atual marido. Portanto, nós temos aqui uma questão educacional, de cultura, que precisa ser alterada muito significativamente. [...] As situações de violência são muito graves e nós precisamos também de uma mudança de comportamento dos homens para que a gente possa, efetivamente, não ser uma sociedade que não fica indignada com violência praticada contra qualquer mulher, seja no Ceará, seja no Brasil", disse Elmano.

Segundo o governador, para ajudar no combate aos crimes e no apoio às vítimas, a rede de atendimento do Estado está sendo ampliada com a construção de mais três Casas da Mulher Cearense nos municípios do interior.

"Com essas, nós passamos para sete e iniciamos a construção de mais três, para ter pelo menos dez Casas da Mulher Cearense. Ajudando os municípios a ter mais viaturas para as casas municipais, para acompanhar mais lá na ponta o trabalho de prevenção e formando na Polícia Militar toda uma preparação para fazer o acompanhamento da mulher que faz algum tipo de registro", falou o governador.

Com informações do G1 Ceará.

Estudo da Universidade Federal do Ceará aponta que casos de violência contra a mulher no Brasil podem dobrar até 2033

Foto Shutterstock 
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) revela que a violência contra a mulher no Brasil pode crescer 95% até 2033, caso o ritmo de ocorrências registrado nos últimos anos se mantenha. 

O levantamento analisou mais de 2,6 milhões de registros de violência contra a mulher no país entre 2013 e 2023 e indica que a violência avança de forma ampla e persistente, atingindo todas as faixas etárias.

Segundo o pesquisador Léo Nogueira, do Laboratório da Violência da UFC, “as projeções assumem uma continuidade sem intervenção nesses quesitos, elas foram gritantes, foram alarmantes. E esse alarme não deve ficar só dentro da comunidade científica, ele deve ir para a sociedade, ele é feito para a sociedade.” 

Ele reforça que, sem novas políticas públicas, o aumento projetado é provável, mas não inevitável. “O estudo mostra que, na maioria das vezes, a violência acontece dentro de casa e é praticada por pessoas próximas, como companheiros, ex-companheiros ou familiares”, completa Nogueira.

O levantamento mostra que, em cerca de 40% dos casos, as agressões se repetem e se acumulam, começando muitas vezes como violência psicológica e evoluindo para formas mais graves. “Estamos falando de um ciclo que se perpetua dentro de lares, escolas e ambientes de trabalho, e que muitas vezes passa despercebido porque a vítima não consegue ou não quer denunciar”, destaca Willian Caracas Moreira, pesquisador da UFC. Ele observa que o crescimento da violência no Norte e Nordeste tem sido acelerado, especialmente após o período pandêmico, enquanto o Sudeste concentra quase 50% do número total de casos.

A realidade brasileira, segundo os pesquisadores, se aproxima de padrões observados em outros países, como os Estados Unidos, mas apresenta especificidades locais. Um ponto crítico identificado é a subnotificação: mais de 60% das vítimas não procuram ajuda. “Medo, vergonha, dependência financeira e dificuldade de acesso aos serviços impedem que denúncias sejam feitas, o que reforça o ciclo da violência”, explica Willian Caracas Moreira.

Com informações do Portal GC Mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário