Um avião que transportava o cantor Amado Batista fez um pouso de emergência no aeroporto de Jequié, sudoeste da Bahia, na noite de domingo (12). Ninguém ficou ferido, e o cantor se apresentou normalmente no show que estava previso para ocorrer em um clube da cidade.
A prefeitura de Jequié informou que a aeronave de Amado Batista se aproximou do Aeroporto Vicente Grillo, em Jequié, após o pôr do sol, quando o terminal não funciona. O local não opera a noite quando a pista fica apagada, não tendo condições de pouso.
A aeronave conseguiu pousar após carros serem levados ao local e acionarem os faróis para iluminar a pista e auxiliar no pouso, conforme registro de imagens de testemunhas. Ainda segundo a prefeitura de Jequié, os comandantes de aeronaves sabem quais os aeroportos no Brasil possuem balizamento para operação noturna.
"Diante desse aspecto técnico, considerado básico para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), qualquer piloto que tente o pouso noturno em aeroporto sem esses equipamentos, como é o caso de Jequié, assume toda e total responsabilidade pela operação, salvo em caso de emergência, que deve ser esclarecido e comprovado às autoridades militares logo após o pouso forçado", diz a nota da administração municipal.
Com a situação, a prefeitura de Jequié informou que o pouso no Aeroporto Vicente Grillo, nas condições apresentadas, é de inteira responsabilidade do comandante da aeronave e que o procedimento será comunicado à Anac.
Outros casos
Esta foi a terceira vez em sete anos, que um avião do cantor Amado Batista precisa fazer um pouso de emergência na Bahia. Em 2012, um o pouso de emergência ocorreu na rodovia BA-262, perto da cidade de Aracatu. Onze pessoas estavam dentro da aeronave - dez integrantes da banda e um piloto -, que não sofreram ferimentos. O cantor não estava no voo.
Em 2018, quando ele seguia para um show em Vitória da Conquista, também no sudoeste baiano, a aeronave que ele estava também precisou fazer um pouso de emergência.
Ainda no ano passado, a Anac informou que o avião usado pelo cantor foi interditado por conta de indícios de que era um táxi-aéreo clandestino.
700 mil jovens cearenses não estudam, não trabalham e não procuram emprego
A primeira negação é a do nome - a identificação, o ser completo - por estar em uma área de vulnerabilidade social; outras negações vêm a partir daí: M. tem 25 anos, quatro filhos, a morte da mãe alcoólatra "afogada" em uma fossa e a memória do abuso sexual que sofreu do pai, mora em uma vila localizada na rua de terra sem saneamento, no Grande Bom Jardim, é cercada pelo nada dos terrenos baldios e do tempo que morou em abrigo. M. abandonou ainda a escola, na sétima série, e a sobrevivência é o sim que ela própria se dá: trabalhou como faxineira; fez marmitas, sequilhos e lanches; refez-se empregada doméstica; hoje; "negocia" eletrodomésticos seminovos. E até curar a crise intestinal de um dos filhos, M. adiou o sonho de montar um churrasquinho na esquina da vila.
A história essencial de M., contada por ela, é a extensão de uma pesquisa que faz uma ponte até o viver e o querer das juventudes que políticas públicas de inserção no mercado de trabalho ainda não alcançam. "Eles dizem não ao não" retrata pessoas entre 16 e 29 anos, do Grande Bom Jardim - periferia configurada como o quarto bairro mais vulnerável de Fortaleza e onde a juventude é a maior parcela de moradores (60%) - , que nem estudam, nem trabalham de maneira formal e nem estão procurando emprego, conhecidas como a Geração N: um universo de quase 700 mil jovens no Estado, segundo espelha o estudo.
A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Dragão do Mar ao Laboratório das Artes e das Juventudes da Universidade Federal do Ceará (Lajus/UFC) e em parceria com o Instituto Oca. Cerca de 22% dos jovens moradores do Grande Bom Jardim nem estudam e nem trabalham ("nem, nem"); outros 14,4% nem estudam, nem trabalham e nem estão procurando emprego ("nem, nem, nem"). As mulheres são desse público, em relação aos homens, destaca a pesquisa.
Aproximando-se desse território, o estudo do Lajus/UFC entrevistou 150 pessoas, entre setembro e outubro de 2018: 54,4% dos entrevistados se identificam como jovens "nem, nem" e 45,6% como "nem, nem, nem". Um dos dados que chamam a atenção revela que 47% dos jovens "nem-nem-nem" têm o fundamental incompleto. A baixa escolaridade impacta nas oportunidades de trabalho. A maior parte dessa Geração N local - 66,6% - é do gênero feminino e se reconhece parda ou preta - 79,33%.
O estudo chega às juventudes da periferia pelo mesmo caminho da vulnerabilidade social que as violências alcançam esses jovens. Um desafio inicial da equipe de sociólogos e antropólogos pesquisadores "foi o de transpor distâncias, desconfianças, recusas e assim ultrapassar abismos que parecem lançar essas/esses jovens para territórios inacessíveis, que se forjam de costas para as instituições e interlocutores 'formais'", descreve a socióloga Glória Diógenes, coordenadora do Lajus/UFC. Conduzidos por lideranças locais, pelo respeito e pela escuta, foi preciso ir até as fronteiras de vidas esgarçadas por negações de direitos e acuadas por medos cotidianos.
"Entre 2014 e 2018, o número desses jovens triplicou. O que é esse afastamento do mercado de trabalho e da escola? Fomos buscar as razões", aponta Glória. Um dos pontos de chegada, ela demarca, é o desejo que os jovens da Geração N têm de trabalhar no que imaginam e não no que políticas públicas distantes oferecem a eles. E de cuidar uns dos outros - dos filhos, dos pais - como ainda não foram cuidados. "Que essa pesquisa possa avivar os sonhos, que esses sonhos possam ser traduzidos e ganhar lugar nas políticas públicas e nas escolas", ecoa a socióloga.


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