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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Bolsonaro diz que só sai "preso, morto ou com vitória" e desafia: "Jamais serei preso".


Em discurso na avenida Paulista, o presidente Jair Bolsonaro subiu o tom nesta terça-feira, dia 07 de setembro 2021, contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repetiu ameaças golpistas e desafiou investigações contra ele em curso na Justiça: “Digo aos canalhas que nunca serei preso".

No discurso, Bolsonaro também voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, com citações diretas ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Na fala, ele cobrou o uso do voto impresso na eleição de 2022, embora o tema já tenha sido objeto de PEC derrotada no Congresso Nacional.

“Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições. E dizer que não é uma pessoa do TSE que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável”, disse.

Na fala, o presidente disse ainda que não cumprirá mais decisões do ministro Alexandre de Moraes. Citando o ministro do STF pelo nome e o chamando de “canalha”, Bolsonaro cobrou que ele “se enquadre ou peça para sair”.

"Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou", disse, no segundo discurso em atos antidemocráticos registrados em todo o país em alusão ao 7 de setembro.

Mais cedo, durante discurso na Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro já tinha feito críticas semelhantes a Moraes, mas sem citar o ministro diretamente. Na ocasião, ele chegou a cobrar que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, “enquadrasse” o colega.

Radicalização de Bolsonaro fragiliza base, e Congresso deve devolver MP das fake news


As ameaças do presidente Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) nos atos de 7 de Setembro devem aumentar a reação ao governo no Congresso. As investidas dificultam uma relação já complicada e afetam a pauta do Planalto. 

Uma primeira resposta pode vir nos próximos dias, com a decisão do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de devolver a MP (medida provisória) que limita a remoção de conteúdo publicado em redes sociais. 

Na noite desta terça-feira (7), Pacheco anunciou o cancelamento de sessões do Senado previstas para esta semana. Aliados afirmam que a decisão seria o primeiro reflexo das ameaças de Bolsonaro. 

O pós-7 de Setembro também teve como efeito colateral um aquecimento das discussões de impeachment nos partidos de centro. Depois de PSD e PSDB começarem a debater o tema, o Solidariedade disse que vai se reunir na próxima semana para fechar uma posição, enquanto no MDB a pressão interna para que o partido apoie a abertura do processo vem crescendo cada vez mais. 

Congressistas da oposição e também de centro-direita reagiram aos eventos de terça, após Bolsonaro fazer dois discursos com fortes ameaças ao STF. 

Na primeira manifestação, em Brasília, Bolsonaro afirmou que participaria nesta quarta de uma reunião do Conselho de República, órgão que tem a função de se pronunciar sobre estado de sítio, estado de defesa, intervenção federal e questões relativas à estabilidade das instituições democráticas.

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