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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A tragédia em Milagres expõe a fracassada política de Segurança Pública do Ceará


Vários equívocos são facilmente identificados. Primeiro, a ação foi organizada pela Coordenadoria de Inteligência (Coin), quando deveria ser iniciada pela Polícia Civil, que tem a função constitucional de investigar.

Segundo porque uma ação que se diz “coordenada” não poderia ter excluído duas forças de segurança importantíssimas: a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal. Inclusive, as equipes da Polícia Civil de Sergipe, Alagoas e Bahia participaram da ação. Por que a Polícia Civil do Ceará só foi acionada após o ataque? Mais uma demonstração de total desrespeito e desvalorização da Polícia Judiciária cearense. 

E em terceiro lugar, ironicamente, durante a inauguração do Centro de Inteligência, o Governador do Estado do Ceará, comemorou que o assalto ao banco não foi realizado, sem pensar no alto preço que pagamos: as vidas de inocentes. 

Diante dessa tragédia, é necessário uma reestruturação urgente na Segurança Pública do Estado, onde o órgão de inteligência, Coin, repasse a informação para a Polícia Judiciária e esta fique responsável pela operação com apoio das outras polícias preventivas e repressivas, aí sim, com a integração entre as polícias e com uma linha de controle e comando, a operação teria alcançado o sucesso, que é a prisão de infratores e não a morte de inocentes que tiveram suas vidas tolhidas por uma ação desastrosa e mal planejada.

Às famílias que perderam seus entes queridos, registramos aqui nossos sentimentos de pesar. Que Deus conforte o coração de cada um de vocês.

Empresário e família deixaram São Paulo para "fugir da violência"

Em entrevista ao Fantástico, Cláudia Magalhães disse que era sonho reunir a família para o Natal.
Após 21 anos morando em São Paulo, o empresário João Batista Magalhães, 41 - um dos reféns mortos durante operação policial em Milagres, no Ceará - havia se mudando para a cidade de Serra Talhada, em Pernambuco, para fugir da violência. Foi o que disse em entrevista ao Fantástico a viúva do empresário, Claudia Magalhães.

"A gente queria fugir da violência de São Paulo, mas a violência veio atrás dele", afirmou. Segundo a viúva, a família esperava a chegada dos parentes para celebrar o Natal. "Minha casa estava preparada para receber amigos e família, que era um sonho nosso, o de juntar a nossa família".

Além do marido e do filho Vinícius, Cláudia perdeu a irmã, Claudineide Souza Santos, o marido dela, Cícero e o filho do casal, Gustavo, de apenas 13 anos. Segundo conta, agora é preciso reunir forças para cuidar do filho menor, João Vitor, e da sobrinha de 21 anos, que ficou em São Paulo. "Prometi para minha irmã que eu vou cuidar da minha sobrinha e eu vou ter força. Agora eu serei o pai e a mãe de João Vitor e nós somos uma família", conta.

(Diário do Nordeste)

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