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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Câmara rejeita mudanças do Senado e aprova reforma tributária

 

Alíquota padrão deve cair de 28,55% para 27,84%
Agência Brasil     https://www.miseria.com.br/
Foto: Vinicius Loures

Por 324 votos a favor, 123 contrários e 3 abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei complementar que regulamenta a reforma tributária sobre o consumo. A proposta requeria maioria absoluta. Em seguida, os deputados derrubaram as mudanças do Senado por 328 contrários, 18 favoráveis (a manter as alterações) e 7 abstenções.

Com a aprovação, o projeto de lei complementar pode ser enviado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, podem virar lei complementar, itens como cashback (devolução parcial de imposto para os mais pobres), impostos reduzidos para imóveis e cesta básica nacional isenta de imposto.

O relator do texto, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), leu o relatório na segunda-feira (16) à noite. As discussões foram concluídas por volta das 22h, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, transferiu a votação para esta terça, para haver um quórum mais alto.

O parecer de Lopes retira os principais pontos alterados no Senado, como a retirada das bebidas açucaradas do Imposto Seletivo (imposto cobrado sobre produtos que prejudiquem a saúde ou o meio ambiente) e a redução em 60% da alíquota para os serviços de saneamento e água e de veterinária. O texto também derrubou a possibilidade de substituição tributária do futuro Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) e retomou as listas de princípios ativos específicos para os medicamentos com isenção ou com alíquota reduzida em 60%.

A versão aprovada pelo Senado tinha extinguido as listas e tinha estabelecido a isenção e a redução de alíquota com base em doenças e em funções de medicamentos. Segundo Lopes, as mudanças farão a alíquota padrão de IVA cair para até 27,84%, contra alíquota de 28,55% da versão aprovada pelo Senado, a maior do planeta para esse tipo de imposto, superando a Hungria.

No caso dos serviços, o parecer de Lopes cria um redutor de 30% da alíquota sobre serviços veterinários, que tinha saído do Senado com redução de 60%. O texto retira o redutor de 60% dos seguintes tipos de serviços: segurança da informação e cibernética; atividades educacionais complementares agregadas, como educação desportiva, recreacional e em línguas estrangeiras.

O texto também retirou a redução de alíquota da água mineral e dos biscoitos e bolachas de consumo popular. Os representantes comerciais deixam de ter alíquota reduzida em 30%.

Em relação à substituição tributária, o texto aprovado pelo Senado permitia a instituição de cobrança do IVA, conforme o desejo do Poder Executivo, no primeiro elo da cadeia produtiva, como ocorre atualmente com o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre fumo e bebidas. Dessa forma, a indústria seria responsável por recolher o tributo com antecedência, em nome dos demais elos da cadeia, como o comércio. Instituída nos anos 2000, a substituição tributária é encarada como uma forma de diminuir a sonegação.

Medicamentos

Em relação aos medicamentos, o relator retomou o texto aprovado pela Câmara. O Senado havia substituído a lista de princípios ativos com alíquota zero de IVA pela isenção aos medicamentos destinados ao tratamento de câncer, doenças raras, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST, termo usado no projeto), Aids, doenças negligenciadas (que atingem populações mais pobres).

O texto do Senado também havia isentado vacinas, soros e medicamentos para o controle de diabetes mellitus, sem especificar o princípio ativo. O relatório retirou a alíquota zero sobre os medicamentos vendidos pelo Programa Farmácia Popular.

A Câmara também rejeitou a aplicação da alíquota de 60% aplicada exclusivamente a medicamentos industrializados ou importados por empresas que tenham firmado compromisso de ajuste de conduta com a União e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, futuro imposto estadual e municipal) ou que sigam diretrizes da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

Os deputados também excluíram o trecho que previa o envio de uma Lei Complementar com uma lista taxativa dos medicamentos que terão direto a alíquota zero.

Imposto Seletivo

Além de reinstituir o Imposto Seletivo sobre bebidas açucaradas, o texto aprovado pela Câmara restabeleceu a lista de cinco critérios para as alíquotas sobre veículos, a serem estabelecidas via lei ordinária. O Imposto Seletivo será cobrado de forma gradual conforme a potência, a densidade tecnológica (grau de modernização), a realização de etapas de fabricação no país e a categoria do veículo.

O parecer de Lopes também derrubou uma alteração do Senado que permitia a redução em até 25% da alíquota do Imposto Seletivo caso as empresas tomem ações para reduzir danos à saúde ou ao meio ambiente.

Receita Federal irá suspender CNPJ de estabelecimentos que vendem cigarros eletrônicos

 

Desde 2009, os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Evellen Rodrigues    https://www.miseria.com.br/
FOTO: Reprodução

Proibidos no Brasil desde 2009 por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os cigarros eletrônicos continuam a circular no país de forma ilegal. Para combater esse comércio clandestino, a Receita Federal intensificou a fiscalização e, a partir de agora, empresas que descumprirem a legislação e reincidirem estarão sujeitas ao cancelamento do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

Em 2024, o volume de apreensões de cigarros eletrônicos atingiu um novo recorde, totalizando R$ 240 milhões, quase quatro vezes o valor registrado em 2023 (R$ 63 milhões). Desde outubro, a nova medida já resultou na suspensão de 22 CNPJs em operações realizadas somente em São Paulo. A Receita Federal alerta ainda sobre a conexão entre o mercado ilegal de cigarros eletrônicos e o financiamento do crime organizado.

O órgão considera a venda clandestina desses produtos — frequentemente expostos em centros comerciais, lojas, vitrines de shoppings e pequenos comércios — uma forma de contrabando que sustenta redes criminosas e amplia suas atividades ilícitas.

Além de representar um desafio para o Governo Federal, os cigarros eletrônicos também são motivo de preocupação para as autoridades de saúde. Diversos profissionais da área afirmam que o uso desses produtos pode causar danos irreversíveis aos pulmões, como lesões alveolares e aumento da incidência de câncer, comprometendo a saúde e a qualidade de vida dos jovens brasileiros.

Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de SP, em parceria com o Instituto do Coração (Incor) e o Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina da USP, revela que os usuários de cigarros eletrônicos apresentam seis vezes mais nicotina no corpo do que os usuários de cigarros comuns.

10 municípios do Cariri estão no centro de uma discussão sobre limites territoriais entre Ceará e Pernambuco


Deputados estaduais de ambos os estados estão articulando um acordo para resolver a questão.
Rogério Brito  https://www.miseria.com.br/
Foto: Rafael Bertoldo Junior

Dez municípios do Cariri estão no centro de uma discussão sobre os limites territoriais entre Ceará e Pernambuco. Diferente do litígio entre Ceará e Piauí, que foi levado à Justiça, a questão não seguirá para o mesmo caminho judicial. Isso porque deputados estaduais de ambos os estados estão articulando um acordo para resolver a questão.

No lado cearense, os municípios do Cariri diretamente afetados são: Salitre, Araripe, Santana do Cariri, Crato, Barbalha, Jardim, Penaforte, Jati, Brejo Santo e Mauriti. Do outro lado, a lista também inclui dez municípios: Araripina, Ipubi, Bodocó, Exu, Sítio dos Moreiras, Serrita, Cedro, Salgueiro, Verdejante e São João do Belmonte.

Na semana passada, a Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) discutiu ações para solucionar imprecisões nos limites territoriais de diferentes municípios. No dia seguinte, o tema voltou à pauta, onde foi identificada a necessidade de formalizar um convênio entre as assembleias legislativas para viabilizar o processo.

De acordo com o coordenador do Comitê de Estudos de Limites e Divisas Territoriais do Ceará (Celditec), Luiz Carlos Mourão, as tratativas foram iniciadas e já estão “bem avançadas”. A previsão é de que o acordo seja finalizado até o início de fevereiro. “Recebemos deles todo o apoio sobre esses entendimentos, estamos evitando um conflito, diferente do que aconteceu com o Piauí”, pontua.

Mourão explicou que haverá a necessidade de realizar um estudo técnico minucioso, envolvendo levantamentos de equipamentos públicos e análises de campo. Os resultados desse estudo servirão de base para uma proposta de definição das divisas entre os dois estados. Após a validação pelas assembleias legislativas do Ceará e de Pernambuco, a proposta será transformada em lei.

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