O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram nesta quarta-feira (26) uma campanha para incentivar candidatos das eleições de 2026 a utilizarem uma ferramenta do YouTube capaz de identificar vídeos produzidos ou alterados por inteligência artificial que reproduzam a imagem de uma pessoa sem autorização.
A ferramenta Detecção por Semelhanças (Likeness ID) permite que usuários maiores de 18 anos cadastrem sua imagem para que a plataforma faça buscas por conteúdos sintéticos que utilizem sua aparência. A iniciativa busca ampliar a proteção de candidatos contra os chamados deepfakes durante o período eleitoral.
Para utilizar o recurso, o candidato precisa ter uma conta no YouTube e acessar o YouTube Studio. O cadastro exige verificação de identidade, com envio de documento oficial e realização de selfie em foto e vídeo. Após a análise, que pode levar até dois dias, a plataforma passa a procurar vídeos que reproduzam a imagem cadastrada.
Caso seja identificado um conteúdo potencialmente irregular, o usuário recebe uma notificação e pode analisar o material e solicitar sua remoção. O pedido será avaliado de acordo com as políticas de privacidade do YouTube e, se houver violação das regras, o conteúdo poderá ser retirado da plataforma.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou que a ferramenta não substitui a fiscalização da Justiça Eleitoral nem a análise humana, mas amplia a capacidade de identificar conteúdos que possam prejudicar a imagem e a honra de candidatos. A parceria com o Google pretende reforçar a proteção contra o uso indevido de inteligência artificial e preservar a confiança no processo eleitoral.
STF retoma julgamento sobre vínculo trabalhista de motoristas de aplicativos

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira (27) o julgamento que discute a existência de vínculo de emprego entre motoristas e entregadores de aplicativos e as plataformas digitais. A sessão está prevista para começar às 14h.
O julgamento foi suspenso em outubro de 2025, após as sustentações das partes envolvidas. Agora, os ministros devem apresentar os primeiros votos sobre o caso, que pode estabelecer parâmetros para as relações de trabalho na chamada “uberização”.
A Corte analisa duas ações, relatadas pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, que chegaram ao STF a partir de recursos apresentados por Rappi e Uber. As empresas contestam decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram vínculo empregatício entre plataformas e trabalhadores.
A Uber argumenta que atua como empresa de tecnologia, e não como companhia de transporte, enquanto a Rappi questiona decisões trabalhistas que reconheceram vínculo com entregadores. As plataformas também sustentam que o reconhecimento da relação de emprego pode afetar o modelo de negócios e a livre iniciativa.
Antes da retomada do julgamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao STF parecer contrário ao reconhecimento de vínculo trabalhista entre motoristas de aplicativos e as plataformas digitais. A decisão do Supremo poderá ter impacto sobre milhões de trabalhadores e empresas que atuam no setor.

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