O governo federal realiza nesta terça-feira (21) a primeira rodada de reuniões com representantes da indústria para discutir os impactos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. Os encontros têm como objetivo apresentar as medidas iniciais que serão adotadas pelo Executivo e ouvir as demandas dos setores mais afetados.
Participam das reuniões entidades que representam segmentos como veículos, autopeças, máquinas e equipamentos, calçados, têxtil, plástico, eletroeletrônicos e pneus. Entre elas estão a Anfavea, Sindipeças, Abmaq, Abit, Abicalçados, Abiplast, Abinee e Anip.
Segundo o governo, a estratégia de resposta envolve duas frentes principais: a busca por novos mercados para os produtos brasileiros atingidos pelas tarifas e a elaboração de um pacote de apoio às empresas afetadas, por meio de uma nova edição do Plano Brasil Soberano. As articulações são coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Outros 57% da pauta exportadora permanecem isentos, enquanto aproximadamente 24% já estavam sujeitos a outro regime tarifário relacionado às exportações de aço e alumínio.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) informou que reservou R$ 130 milhões para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados. A estratégia inclui ações voltadas principalmente à União Europeia, além de países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.
Economia brasileira cresce 0,7% em maio, impulsionada pelo consumo das famílias

A economia brasileira registrou crescimento de 0,7% em maio, na comparação com abril, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). No acumulado de 12 meses, a atividade econômica avançou 1,7%.
De acordo com a FGV, o principal fator para o resultado foi o aumento do consumo das famílias, que cresceu 3,3% no trimestre móvel encerrado em maio, com destaque para os gastos com serviços e bens duráveis. O desempenho marca uma retomada após a leve retração registrada em abril.
Apesar do avanço, a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, avalia que a economia começa a apresentar sinais de desaceleração. Segundo ela, a indústria perdeu fôlego, a agropecuária voltou a crescer após meses de queda e o setor de serviços foi o que apresentou o desempenho mais consistente no período.
O levantamento também mostra que as exportações cresceram 4,3%, no menor ritmo desde o segundo trimestre de 2025, enquanto as importações avançaram 8,9%. Já os investimentos na economia tiveram expansão de 2%, e a taxa de investimento foi estimada em 18,6% em maio.
O Monitor do PIB é um indicador que antecipa o comportamento da atividade econômica, mas o resultado oficial é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A próxima divulgação, referente ao segundo trimestre de 2026, está prevista para 1º de setembro.

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