O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, anular o processo que resultou na absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora digital Mariana Ferrer em um caso ocorrido em 2018, em Florianópolis. Com a decisão, a ação deverá ser julgada novamente pela Justiça de Santa Catarina, sem a participação do juiz e do promotor que atuaram anteriormente no processo.
O julgamento analisou recurso apresentado pela defesa de Mariana Ferrer, que argumentou que as humilhações sofridas durante a audiência de instrução comprometeram a legalidade do processo. A sessão realizada em 2020 ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens em que a influenciadora foi alvo de questionamentos considerados ofensivos e constrangedores por parte da defesa do acusado.
Ao votar pela anulação, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que houve “total desrespeito aos direitos fundamentais da vítima” e classificou a situação como um caso de revitimização. Segundo o ministro, a postura adotada durante a audiência comprometeu a validade do depoimento de Mariana, considerado uma das principais provas em crimes de violência sexual.
A decisão reforça entendimentos recentes do STF e da legislação brasileira voltados à proteção das vítimas de crimes sexuais. O caso contribuiu para a criação da Lei Mariana Ferrer, sancionada em 2021, que estabelece punições para atos que atentem contra a dignidade de vítimas e testemunhas durante audiências e procedimentos judiciais.
Em dez anos no Juazeiro, 76 mulheres foram assassinadas e nove delas ano passado

O número de mulheres assassinadas em Juazeiro subiu de sete (2024) para nove no ano passado. Elas foram mortas em cinco bairros: Timbaúbas (04), João Cabral (02) e as demais no Tiradentes, Aeroporto e Monsenhor Murilo. Um levantamento exclusivo feito pelo Portal M1 mostra terem sido seis assassinatos à bala e três a golpes de faca, sendo duas menores, outras duas na faixa etária jovem de 18 a 30 anos e mais cinco com idades acima de 30 anos.
Outro levantamento exclusivo mostra que, no intervalo de dez anos (entre 2016 e o ano passado), 76 mulheres foram assassinadas em Juazeiro ou uma média de 7,6 a cada ano. Ainda de acordo com o levantamento, os anos mais violento foram 2017 e 2020 com 12 mulheres cada ou uma por mês. Depois, aparece 2025 com nove; 2022 e 2023 com oito mulheres mortas em cada um deles, além de 2016 e 2024 com sete cada. Com cinco, vem o ano de 2018 e os menos violentos (com 4 cada) 2019 e 2021.
Eis as mulheres assassinadas ano passado em Juazeiro do Norte
01 – 01/02/25 – Mauricélia Correia Oliveira, de 35 anos, que residia na Rua Sebastião Mariano (Tiradentes) em Juazeiro do Norte e trabalhava como motorista de aplicativo foi morta com um tiro na cabeça perto de casa próximo ao Parque de Vaquejadas. Dois homens se aproximaram numa moto e um deles era José Gabriel Alves Sousa, de 19 anos, que foi preso no dia 13 de agosto de 2025. O outro era Devylin Silva Rodrigues, de 19 anos, assassinado em Barbalha no dia 25 de março. Ela respondia dois procedimentos por tráfico de drogas e, numa das vezes, presa com a mãe Vera Lúcia Gama Correia, sempre com boas quantidades de cocaína e crack.
02 – 12/06/25 – Maria das Dores de Sousa, de 57 anos, que residia na Rua Perpétua Carneiro da Cunha (João Cabral) em Juazeiro do Norte, morreu no HRC. Na madrugada do dia 24 de maio, ela saiu de um bar e caminhava com grupo de amigos pela Avenida Ailton Gomes, naquele bairro, quando uma pessoa passou numa moto atirando na busca de matar um homem. A mesma não tinha passagens pela polícia e foi atingida morrendo 19 dias após no hospital.
03 – 21/06/25 – Rafaela de Lima Almeida, de 29 anos, que residia no Condomínio Tenente Coelho 1 (Aeroporto) em Juazeiro do Norte e era industriária, morreu no HRC. Ela foi lesionada a golpes de faca na terça-feira (17) pelo ex-esposo Leandro Augusto de Oliveira, de 34 anos, o “Galego”, que se entregou à polícia. A mesma saia do apartamento para uma caminhada quando foi atacada pelo ex que tentava reatar o relacionamento sem conseguir êxito.
04 – 23/06/25 – Cícera Maria Costa, de 44 anos, que residia no Sítio Pintado em Missão Velha, foi morta com um tiro no Conjunto Padre Cícero III (Bairro Monsenhor Murilo) em Juazeiro do Norte pelo ex-marido José Aldir dos Santos, de 50 anos, residente no Aeroporto. Estavam num Fiat Uno Mille e ela tentou se refugiar numa casa, mas foi arrastada quando atirou e fugiu, sendo preso na casa de uma filha no bairro Pedrinhas. Cícera já tinha sido vítima de vários crimes de violência doméstica em Missão Velha num relacionamento anterior.
05/06/07 – 19/09/25 – Patrícia Andrade do Nascimento, de 27 anos, que residia na Rua João Arcelino (Pio XII), foi morta a tiros na calçada do Bar da Adriana na Rua João Paulo I (Timbaúbas) em Juazeiro do Norte por homens que chegaram num Fiat Uno vermelho e invadiram o estabelecimento atirando. Foi um caso de triplo homicídio, pois morreu ainda no bar a filha da proprietária Maria Cícera Isabel dos Santos Silva, de 15 anos, enquanto Maria Alice Andrade Vieira, de 10 anos (filha de Patrícia), faleceu no HRC. Um menor de 17 anos e filho da dona do bar saiu baleado na perna. A polícia descobriu ter sido uma ação de pistolagem, sendo presos Alisson Henrique Xavier, de 20, o “CH”, o motorista por aplicativo Heberton Martins Lopes, o “Totó”, de 30 anos e dois menores de 15 anos.
08 – 23/09/25 – Maria das Dores Ferreira da Silva, de 41 anos, que residia na Rua Luiz Galvão Pereira (Timbaúbas) em Juazeiro do Norte, teve o corpo encontrado dentro de casa com perfurações à faca e perto de arma branca. Vizinhos estranharam a ausência da mesma e acionaram a polícia que conseguiu entrar se deparando com o cadáver. Na noite de domingo, ela saiu com o companheiro num carro de aluguel para ir a uma festa quando discutiram. Ele voltou sozinho e Maria permaneceu um pouco mais no forró só retornando depois. O acusado Antonio Marcelino dos Santos, de 66 anos, foi preso no dia 13 de novembro de 2025
09 – 14/12/25 – Alexandrina Maria da Conceição, de 53 anos, que residia na Rua Yone Rodrigues perto da Feirinha da Troca (João Cabral) em Juazeiro do Norte, foi asfixiada, morta a facadas e teve parte dos seios arrancados dentro de casa e encontrada pelo filho. Populares informaram à polícia terem ouvido barulho estranho como se fosse uma briga. De acordo com o filho, O principal suspeito é o vizinho dela o jardineiro Geraldo Lopes da Silva, de 28 anos, que responde por receptação e teve um desentendimento com o filho e o marido da vítima, por conta da venda de um cordão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário