Visto como a solução por alguns idosos, o crédito consignado é avaliado como o grande vilão do endividamento dos aposentados, podendo comprometer o orçamento de uma família e desenvolver dívidas ainda maiores. No Ceará, ao final do ano passado, era contabilizado cerca de R$ 1,6 bilhão em financiamentos ativos dessa modalidade, distribuídos em 545.594 operações de crédito, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A proposta de quem oferece esse tipo de operação de crédito é sempre a liberação do dinheiro com muita facilidade e rapidez, além de juros mais baixos que os cartões e prazos mais curtos. O desconto da prestação é feito automaticamente na aposentadoria ou da pensão. No entanto, o que muitas vezes aparenta ser a salvação é apenas o início de um problema ainda maior.
Atualizadas em novembro de 2015, as taxas máximas são de 2,34% ao mês, para o empréstimo, e 3,36% ao mês, para o cartão consignado. A renda a ser comprometida não pode ultrapassar 35% do valor da aposentadoria ou pensão recebida pelo beneficiário, sendo 5% destinados exclusivamente para a amortização de despesas contraídas por meio da modalidade cartão de crédito - respeitando o prazo de até 72 meses (seis anos).
De acordo com a presidente do núcleo cearense da União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unapeb), Mônica Maria da Silva, as mudanças aprovadas pelo governo no final do ano passado dificultaram ainda mais uma situação que já era adversa. "Além de aumentar os juros, ampliou o tempo em que o aposentado fica com o rendimento reduzido. Isso está afundando os idosos em dívidas", destacou.
Consequências
Apesar de ser útil em um momento de necessidade, dada a facilidade com que o dinheiro é liberado, Mônica pondera que as consequências do comprometimento de parte da aposentadoria por um longo prazo não valem a pena. Ela alerta ser necessário que as pessoas façam o crédito com consciência, e não por impulso. "Crédito é uma coisa séria, que compromete a renda, o dia a dia e a sobrevivência de cada um".
A visão é compartilhada por Jane Berwanger, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP). Para ela, o empréstimo consignado não beneficiou aos aposentados, mas apenas às instituições financeiras. "Sempre fomos muito críticos à essa modalidade, porque se vende um dinheiro fácil que vai comprometer 35% da renda dos aposentados", explicou.
Segundo Jane, o endividamento dos brasileiros aposentados com essa modalidade de crédito ultrapassou R$ 5 bilhões em 2015. "Veio como mais um problema para o aposentado, não uma solução. Esse benefício deveria, no mínimo, ser repensado ou, até mesmo, extinto", afirma.
Bola de neve
A aposentada Luzia Rodrigues de Oliveira, 63, é viúva e recebe apenas um salário mínimo para arcar com as despesas da casa e com remédios para artrose e hipertensão. Sem saber ao certo quantos empréstimos está pagando todos os meses, seu rendimento líquido chega a pouco mais de R$ 500. "Como não temos outra opção, eles oferecem o empréstimo, perguntam se estamos precisando de R$ 1 mil, e a gente sempre está", conta.
O último empréstimo que adquiriu, já neste ano, foi quando a instituição financeira depositou o valor de R$ 1 mil na sua conta sem que ela tivesse autorizado, prática que é proibida pela legislação. "Fui atrás de saber quem tinha depositado e o banco me informou que tinha sido uma instituição financeira. Fui lá e disseram para eu fazer um boletim de ocorrência (BO), mas eu não ando nesses cantos, me estresso. Aí, já que estava lá, autorizei".
Para a aposentada, apesar do benefício imediato, o empréstimo é uma exploração. "Para que 72 meses para pagar R$ 1 mil? Não entendo muito como funcionam os juros mas, quando acaba, acho que já paguei uns R$ 2,5 mil a R$ 3 mil. Ajuda, mas acaba logo e fica descontando por muito tempo", lamentou.
Cuidados
Por ser uma modalidade ágil, vários idosos acabam sofrendo golpes durante o processo de contratação de um empréstimo consignado. Para evitar cair em armadilhas, o INSS alerta que o aposentado jamais deve oferecer o seu cartão ou a senha do banco a terceiros. Somente deve contratar empréstimo após pesquisar as taxas, consultando as instituições conveniadas com o INSS.
O órgão alerta ainda que os aposentados e pensionistas não devem repassar dados pessoais, caso alguém os solicite em sua residência com promessa de acelerar a liberação do empréstimo e recomenda que a melhor forma de obter um financiamento é procurar diretamente uma instituição financeira.
O beneficiário que se sentir lesado após a contratação de um empréstimo pode registrar uma reclamação na ouvidoria geral do ministério da Previdência Social, através do telefone 135.
Mais informações:
Quem se sentir lesado pode fazer uma queixa na ouvidoria geral do Ministério da Previdência, pelo telefone 135 ou no site http://www.previdencia.gov.br/
Fonte: Diário do Nordeste
PF envia dados para OAB investigar advogados sobre compra de sentenças
Áudios e documentos que, segundo a Polícia Federal, podem comprovar a participação de advogados cearenses no suposto esquema de compra de liminares no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), foram enviados, ontem, ao Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE). A Justiça Federal havia autorizado, em dezembro, que até mesmo os dados sigilosos fossem repassados pela Polícia Federal ao órgão, que deverá investigar administrativamente os advogados suspeitos.
A OAB-CE havia arquivado as investigações alegando que não tinha elementos para prosseguir apurando a conduta dos profissionais da categoria, supostamente envolvidos nos fatos. Na determinação judicial de 10 dezembro de 2015, o juiz federal Danilo Fontenelle autoriza "o compartilhamento dos dados relativos à possível prática de ilícitos por advogados - inclusive sigilosos, com a transferência do sigilo das informações aos agentes que a elas tiverem acesso".
O delegado Janderlyer de Lima, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Decor) explicou que as interceptações telefônicas entregues à OAB-CE foram colhidas nas investigações da 'Operação Cardume', deflagrada pela Polícia Federal (PF) em setembro de 2015. Segundo ele, três advogados foram identificados em tratativas com presidiários e em tentativas de comprar sentenças nos plantões do Poder Judiciário. "Identificamos três advogados durante a operação, mas as outras investigações já demonstram a participação de outros".
Conforme o delegado, os três profissionais que figuram entre os suspeitos, representam criminosos que foram presos durante a 'Operação Cardume'. "Os três defendem os traficantes internacionais presos por nós", declarou o titular da Decor.
Fase final
No dia 29 de setembro de 2015, 26 pessoas foram presas acusadas de participar de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais. A quadrilha que trazia maconha do Paraguai e cocaína da Bolívia funcionava como uma empresa e era dividida em setores específicos que tratavam da distribuição, aquisição, refino da droga e lavagem do dinheiro adquirido com os narcóticos. Parte do material era comercializado no Ceará e Rio Grande do Norte; a outra enviada para países da Europa.
Conforme o delegado, o inquérito sobre a segunda e última fase da operação será encaminhado hoje à Justiça. Desta vez, o intuito da investida policial será sequestrar bens e identificar onde o dinheiro do tráfico foi aplicado. O Diário do Nordeste noticiou com exclusividade o esquema montado pela organização para lavar o dinheiro da droga, no comércio de Fortaleza. Milhões de reais provenientes do tráfico foram revertidos em dinheiro limpo, em transações feitas pelos criminosos nas empresas ligadas à facção, segundo a Polícia Federal.
Conforme a PF, um prédio e uma fazenda já estão na lista dos imóveis que deverão ser confiscados na segunda investida da 'Operação Cardume'. Além disto, a Polícia procura outros investimentos feitos pelos beneficiados com os lucros dos entorpecentes. "Vamos entregar o resultado das novas apurações à Justiça Federal e pedir que acate nossos pedidos. É possível que além de bens sequestrados, outras pessoas que estão envolvidas com a quadrilha sejam presas", disse Janderlyer de Lima.
Delação premiada
Um dos principais membros da organização foi beneficiado com uma delação premiada. Ele pleiteava as oitivas desde dezembro e acabou conseguindo ganhar vantagens, para falar sobre o funcionamento da facção criminosa. Uma das condições do criminoso para fazer suas revelações era não ser encaminhado para um Presídio Federal e esta foi atendida. Ele permanecerá no Sistema Penitenciário Cearense enquanto é ouvido pela Polícia.
Janderlyer de Lima explicou que as declarações do detento não terão resultados na segunda fase da 'Operação Cardume', que já tinha outros direcionamentos, mas as revelações deverão motivar ações específicas da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Segundo ele, as informações dadas pelo criminoso ainda não podem ser tidas como verdadeiras. "Os fatos da delação são novos e podem gerar outras operações, que serão conduzidas pela DRE, já que as pessoas citadas são envolvidas, em sua maioria, com o tráfico de drogas. Ainda é necessário que cada revelação seja aprofundada e comprovada por nós".
Fonte: Diário do Nordeste
ELETRICISTA MORRE AO TENTAR RETIRAR ABELHAS
O funcionário de uma empresa que presta serviços para a Companhia Energética de Goiás (Celg) morreu na quarta-feira (17) enquanto trabalhava em uma fazenda a 30 km de Catalão, no sudeste goiano. O eletricista de 28 anos levou um choque ao tentar retirar a caixa de abelha de um poste de energia.
Após o acidente, equipes da empresa e da companhia se deslocaram ao local. O técnico de segurança da Celg, Abel Alves Silva disse que a vítima e outros colegas de trabalho foram ao local para um serviço de rotina. Ao se deparar com as abelhas, o jovem subiu no poste para retirá-las, já que danificam o sistema.
“A própria química do mel vai correndo os parafusos, as ferragens e a colmeira precisa ser remanejada”, explica o técnico de segurança.
O funcionário usava todos os equipamentos de segurança. Ele trabalhava há sete meses na empresa.
Silva acredita que o acidente aconteceu pelo fato de a vítima ter se aproximado demais do campo magnético formado pela rede de alta tensão. “Ele aproximou muito da rede. Então, entrou no campo magnético da rede, sofreu uma descarga e ele sofreu uma parada cardíaca. Infelizmente, foi uma fatalidade”, disse o representante da Celg.
A companhia informou que a descarga elétrica poderia ter sido evitada se o funcionário tivesse se aproximado um pouco menos do campo magnético. Um lado será feito para confirmar a causa da morte do jovem.
Fonte: G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário