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BRASÍLIA - Após a polêmica decisão de anular a sessão que aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, o presidente em exercício da Casa, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), deve ser expulso do partido. Um grupo de deputados do PP já acionou a Executiva da legenda para pedir sua imediata expulsão. Com isto, o partido deve também pedir o afastamento de Maranhão da presidência da Câmara, já que a vaga de vice é de indicação do PP.
O argumento é que ele já havia contrariado a decisão do PP de fechar questão a favor do impeachment e, agora, voltou a confrontar o partido:
— Ele é um incapaz e vamos ainda hoje pedir a expulsão dele do partido. Tem que saber como foi essa articulação, que é criminosa. Ele não tem nenhuma capacidade mental de um golpe dessa envergadura. Precisa apurar quem mais está envolvido nesse golpe — afirmou ao GLOBO o deputado Júlio Lopes (PP-RJ).
Ato contínuo, os deputados devem pedir que à Mesa da Câmara que o partido faça nova indicação para a vice-presidência da Casa.
— A vaga é do PP. Vamos pedir nova indicação do vice-presidente da Câmara e o partido vai expulsá-lo ainda hoje. Um sujeito na interinidade não pode derrubar o voto de 376 deputados — disse o deputado.
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Para Temer e aliados, suspensão é desespero do governo e não tem efeito
“É mais um factoide de um governo que está nos estertores. Não acho que isso seja algo sério. Esse tema está no âmbito do Senado Federal. Imagina se isso fosse passível? Toda matéria que desagradasse ia ser anulada por uma Casa ou pela outra?”, ponderou o ex-ministro Geddel Vieira Lima, um dos aliados mais próximos do vice-presidente Michel Temer.
Segundo a reportagem apurou, uma avaliação semelhante foi feita por Temer logo após vir a público a decisão de Maranhão. Em nota o deputado do PP pede que as sessões que resultaram na autorização da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma sejam anuladas e que uma nova sessão seja realizada no prazo de cinco sessões a partir da devolução do processo do Senado.
O deputado atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). Maranhão assumiu a presidência da Câmara interinamente após Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ser afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada.

A pessoas próximas, Temer considerou que o processo de impeachment na Câmara já se encerrou e que o presidente interino da Casa não tem o poder de interferir no andamento do processo. A expectativa era de que o processo fosse votado no plenário do Senado nesta quarta-feira, 11.
A decisão de Maranhão também deve ser contestada por lideranças partidárias que deverão integrar um possível governo Temer. A ideia é apresentar recursos tanto no âmbito do Congresso quanto no Judiciário.
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