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sexta-feira, 10 de abril de 2020

18 mil desembarcaram da Europa e dos EUA na Capital do Ceará em fevereiro

Quando os primeiros casos de Covid-19 foram registrados no Brasil ao fim de fevereiro, o Aeroporto Internacional de Fortaleza ainda operava normalmente voos para Europa e Estados Unidos, onde o novo coronavírus já vinha se alastrando. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o terminal da Capital recebeu em fevereiro pouco mais de 18 mil passageiros provenientes do exterior, com exceção de Buenos Aires (Argentina) e Caiena (Guiana Francesa), que ainda não tinham histórico de casos.

O número de passageiros internacionais que passaram em Fortaleza, contabilizando as origens na Europa e Estados Unidos, é o maior entre os aeroportos do Nordeste. Em igual período, desembarcaram no Aeroporto Internacional do Recife 13 mil viajantes, enquanto que em Salvador, passaram pouco mais de 10 mil pessoas vindas do exterior, com exceção da América do Sul e Central.

Na Capital, neste período, a maioria dos passageiros teve origem em Lisboa (5.025), Miami (3.812), Paris (3.003) e Amsterdã (2.754). Embora Portugal e Holanda não tivessem registrado, em fevereiro, muitos casos confirmados de Covid-19, grande parte dos viajantes vem de outros países e faz conexão nestes locais, o que significa dizer que boa parcela pode ter transitado por regiões que, naquela época, já sinalizavam muitas ocorrências da doença.

De acordo com a plataforma digital IntegraSUS, montada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), até às 17h10 de ontem (9), o Estado já contabilizava 1.445 casos confirmados da Covid-19 e 57 óbitos em decorrência dessa infecção viral. Fortaleza concentra a maioria dos registros: 1.283 confirmações e 45 mortes.
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Covid-19: Isolamento está freando explosão da pandemia no Ceará:


A adoção do isolamento social está conseguindo frear a tendência de crescimento inicialmente exponencial da pandemia de Covid-19 no Ceará. O Blog teve acesso a um gráfico elaborado pelo Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará (UFC) em colaboração com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e Vigilância Epidemiológica de Fortaleza. O gráfico mostra a atenuação e reforça a importância do isolamento social, mantido por meio de decretos do governador Camilo Santana (PT).

Os estudos estão sobre a mesa do governador.

Os pontos pretos no gráfico maior mostram a evolução ao longo do tempo do número acumulado de casos confirmados de Covid-19 em Fortaleza (topo). Vê-se o freio em tendência de crescimento inicialmente exponencial (curva tracejada em vermelho) para um regime mais linear. A atenuação ocorre logo após a publicação do Decreto 33.519, em 19 de março.

As datas registradas (eixo horizontal) se referem às datas de solicitação dos exames confirmatórios. Isto acontece poucos dias após a manifestação de sintomas.

O gráfico interno mostra a comparação entre as evoluções da pandemia em Fortaleza e no interior do Estado (pontos azuis). No Interior, ainda relativamente incipiente.

O relatório da estatística aponta que gráficos apresentados anteriormente, baseados nas datas das publicações dos resultados destes exames, contêm o viés indesejado da alta variabilidade do tempo necessário para a realização dos exames pelos diversos laboratórios de análises clínicas em Fortaleza.

Este viés seria o responsável pela interpretação de que haveria uma “aceleração” recente no número de casos no Estado. De todo modo, os responsáveis pelo estudo recomendam que o comportamento aproximadamente linear apresentado após as medidas restritivas deva ser melhor investigado.

A recomendação é de um número maior de exames diários daqui por diante. A lógica é a de que um comportamento deste tipo, a persistir, seja estatisticamente confirmado.

Com informações Jocélio Leal/O Povo Online

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